Entrevista sobre metodologias ágeis (I)

Olá, meus caros!

No ano passado (2009), participei de uma palestra sobre metodologias ágeis na Globalcode. Essa palestra foi dada pelo amigo Wagner Santos, que é líder de uma área de arquitetura e integração numa grande empresa que atua no ramo do varejo. Ele trabalha há mais de 10 anos com desenvolvimento de software diz que gosta de passar o tempo livre com a família ou escrevendo artigos.

Orlando Junior – O que é ser ágil nos dias de hoje?
Wagner Santos Acho que ser ágil nos dias de hoje é saber aproveitar as oportunidades de inovação no seu ambiente de trabalho, percebo que a maioria das pessoas acabam ficando acostumadas com a rotina de seus afazeres e perdem chances de inovar.

Quando digo inovar, digo que existem várias maneiras de você introduzir no seu dia a dia práticas ágeis. Outro ponto importante em ambiente ágeis é a comunicação, para ser ágil a pessoa saber lidar com pessoas, com o cliente, e ter um relacionamento de parceria, não pode ter medo de se expor e ser comprometido.

Comprometido não é trabalhar 250 horas por mês no projeto, é saber assumir responsabilidades e saber responder por elas, não ter vergonha de pedir ajuda na hora de uma dificuldade. É velha a história do porco e da galinha =).

OJ – Quais os pontos fracos das metodologias ágeis?
WS – O que vejo como um ponto fraco em metodologias ágeis, pela sua própria natureza lean, ou seja, enxuta. É que fica um pouco difícil a sua adoção em ambientes que haja modelos de governança de TI como o Cobit, por exemplo. É difícil em um ambiente de Governança “certificado”, você justificar para o gerenciamento de projeto o uso apenas de quadros e post-its, entende? Isso eu digo principalmente com Scrum e XP.

Neste tipo de cenário, a empresa tende a escolher modelos híbridos baseados no PMBook e RUP. O que no final acabam se tornando processos altamente burocráticos em cascata.

Por isso, que acho que esse é um campo que tem muito a ser explorado, trabalhei cerca de 2 a 3 com RUP, e uma escolha mal feita nos artefatos de projeto acaba comprometendo e muito o rendimento da equipe

Para esse tipo de cenário, eu recomendo processos unificados, como o OpenUP.

OJ – Quando não usar?
WS – Bem, independente do lugar que você esteja é muito importante praticar, aplicar os valores do Manifesto Ágil.

Eu não consigo enxergar o uso de métodos ágeis em projetos de implantação de ERP (pacote comprado), principalmente quando a implantação é feita em grandes empresas com diversas filiais. Geralmente, as empresas fornecedoras deste tipo de software já possuem métodos próprios.

Outra ponto, é se a sua empresa desenvolve software e seu cliente esta feliz, o desenvolvedor esta feliz, os projetos estão sendo entregues no prazo, o ROI esta dentro das expectativas, o Time-to-market do seu produto é baixo e a equipe é produtiva, se neste cenário você já não estiver usando ágil, fique onde está.

Se o seu processo de desenvolvimento esta atendendo plenamente você e seus clientes, então não mude. Você já esta no caminho certo.

OJ – Só serve para projetos? E a manutenção do sistema?
WS – Agile proporciona um leque bem variado de métodos, entre eles FDD, Scrum, XP, Lean, Crystal, entre outros. Eu diria que os dois caminham juntos, a questão gira em torno de como você irá administrar e classificar os itens em seu backlog.

A partir do momento que um release do seu produto entra em produção, é natural que novas demandas e até bugs apareçam. Tem empresas que separam equipes para atuar somente em projetos de manutenção e outras equipes para trabalhar somente em projetos de evolução, depende tudo de como o trabalho é priorizado.

Para áreas de serviço, como Infraestrutura, onde a atuação das equipes geralmente é feita sob demanda, é recomendado o uso de quadros Kanban, inclusive atualmente estou fazendo um trabalho neste sentido (Quadros Kanban para áreas de Infraestrutura).

OJ – Só é possível utilizar a metodologia com projetos de software?
WS – Vou dar uma resposta simples e direta: Não, hehe.

Em Scrum, por exemplo, o criador do framework Ken Schwaber propõe o uso do framework em qualquer tipo de projeto, não é difícil imaginar o uso de Scrum em um projeto de Marketing para o lançamento de um novo produto, ou até em projetos de construção civil.

Pessoal, essa é a primeira parte da entrevista. Acabamos conversando bastante e a entrevista ficou bem grande. Se gostaram da primeira parte, façam alguns comentários para que eu me motive a colocar a segunda parte o mais rápido possível.. hehehe.

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  1. #1 por Rodrigo em segunda-feira, 22/02/2010 - 11:19

    Interessante. Poste a segunda parte!

  1. Entrevista sobre metodologias ágeis (III) | .Orlando Junior

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