Um poema sem título. Ou: O Direito de Nascer Menina

Em 2007, ano de minha formatura no Ensino Médio, escrevi duas poesias muito especiais para mim: A Mulher de Lá e À Nova Civilização. Elas fizeram parte de um trabalho. Foi um dos poucos trabalhos no qual toda a nossa turma participou. Salvo engano, um ou dois acabaram não fazendo conosco, mas com outras turmas. Tudo bem. Confesso, porém, que foi emocionante a dedicação e o trabalho de todos. O amizade imperou.

Voltando às poesias… Não sei quem, nesse mesmo ano, teve a agudez de espírito de juntar os dois poemas e utilizar na peça que montamos (era este o trabalho). O novo ficou ótimo!

Disponibilizo-o abaixo. Infelizmente, ele não teve um título.

Eis os versos

Lá, elas não podem; elas só sofrem, elas só consentem.
Vivem sem liberdade, não seguem seus caminhos.
Deles, só o arreio as dão,
Até como se o véu que as cobrem fosse o maior vôo.

E os estudantes, que fazem?
Ah! Apenas eles querem estudar,
Apenas eles devem trabalhar,
E o trabalho é o de divertir a população:
Num campo de esportes, executam-nas…
São sonhos ministeriais…
A jovem virgem, a viúva da Guerra, a noiva ateada
São sonhos ministeriais o qual alguma vive feliz.

Lá, a legalidade é ilegal,
E os meninos brincam de cortar gargantas,
Apaixonam-se — iludindo-as — fazendo-as sê-los novos Mohammads.
E o sexo é tão pueril,
Quão as leis daquela teocracia de séculos.

Desesperadas pela independência de seus ventres,
Pela educação de suas filhas
E pela carência de seus direitos.
Sem isto, só lhes resta consentir a tirania de seus maridos,
Ou então: lutar!,
E morrer.

Aqui não há escolhas.
[…]
Cobrem-me com véus e me torturam
Até o Estado mudar de atitude.

Por mais que eu grite,
Por mais que eu fuja,
Por mais que eu desapareça,
Isso estará sempre em mim, pois
A nossa cultura é essa e
Ninguém há de nos condenar
[…]

Que fazer se nasci sem liberdade?
Quem sabe, recolher-me e deixar como está.
— Socorro! — peço ajuda.

[…]
Nossa união foi esquecida ao seu bel-prazer.

[…]
Eles vêm atrás de mim, em busca
Da sua ostentação gloriosa
De me calar a vós.

Sei que não tenho escolhas.
Sei que não tenho saídas.
Sei também que serei calada e
Condenada, mas
Imploro ajuda.

Nosso trabalho no YouTube (o poema está no segundo vídeo)

P.S.: muitas saudades de todos!

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